Entrevista EXCLUSIVA com Ricardo Santos

“Sinto-me cada vez mais capaz

de jogar ao nível do European Tour”

“Gostava de começar por felicitar O JOGO por mais esta iniciativa e pelo destaque que dá ao golfe nacional», diz Ricardo Santos. O melhor golfista português de todos os tempos aceitou conceder a TUDO SOBRE GOLFE uma entrevista exclusiva ao longo da qual passa em revista o início de época, incluindo o brilharete no Abu Dhabi e o meltdown do terceiro dia do Qatar Masters.

Aparece este ano lá em cima, no top20 da Race To Dubai. Chegar à final é o principal objectivo para 2013?

Gosto de estabelecer os objectivos por etapas. O principal objectivo é sempre manter o cartão para a época seguinte. Depois de alcançá-lo, então será jogar a final da Race To Dubai.

Pode dizer-se que jogar um major seria o bónus perfeito para o trabalho destas duas/três épocas? Vai disputar a qualificação do British Open?

Sem dúvida. Jogar um major seria um bónus e mais uma grande experiência. Vou disputar as qualificações do British Open e do US Open.

Fez um Abu Dhabi Championship extraordinário e quase repetia o feito na semana seguinte, no Qatar. O que se passou no dia de sábado, com aquele 76, incluindo dois duplos-bogeys?

Aconteceu golfe. No desporto há situações que nós não controlamos e uma delas é o resultado. Comecei bem o dia, a jogar bastante solidamente. Depois, no buraco 7, a minha bola pitchou no green, mas não parou, e acabei por não conseguir salvar o par. No buraco 8, aconteceu algo que já não me acontecia há muito tempo: fazer quatro putts (talvez por me ter precipitado no primeiro). Ainda consegui reagir e voltar para o Par do campo no buraco 10. No 12, tive a infelicidade de a bola ficar no bunker. Dei um bom drive, mas o vento não lhe pegou como era suposto. No segundo shot, nunca pensei que com o ferro 8 fosse passar o green, ficando numa situação quase injogável – e, no quarto, a bola fez uma gravata completa. No 14, voltei a dar um shot muito bom do rough, mas mais uma vez a bola não parou no green e voltei a não conseguir salvar o par. No 15, dei o pior shot do torneio, fui para a água e acabei por fazer o segundo  duplo. A certa altura, vem a frustração de estar a jogar razoavelmente bem e a não conseguir fazer resultado…

É-lhe ainda mais fácil fazer um brilharete vindo de baixo para cima, como no Abu Dhabi, do que mantendo-se o fim-de-semana todo no top, como tentou fazer no Qatar?

De certa forma, sim. Quando estamos atrás, queremos chegar à frente. Quando estamos à frente, somos o alvo a abater e, portanto, há um pouco mais de pressão.

A que se deve, exactamente, este grande arranque de temporada? Que trabalho de pré-época foi esse que, aparentemente, tem dado tão bons frutos?

Penso que se deve tudo ao trabalho. Foi um trabalho muito sério, em todas as vertentes, com o objectivo de ganhar consistência.

Ouve-se cada vez mais falar do psicólogo Gonçalo Castanho quando se fala do Ricardo. O próprio Ricardo já lhe agradeceu publicamente. O psicólogo tem sido essencial? É a grande diferença em relação a há uns anos atrás?

Tem sido um trabalho importante – tão importante como os outros. A este nível, a competição é muito exigente. E, nesse sentido, todas as vertentes do jogo devem ser treinadas e preparadas. A diferença está num trabalho mais sério e organizado em todas as áreas. E a experiência também ajuda.

Decidiu reduzir um pouco a sua disponibilidade para dar entrevistas todos os dias. É por necessidade de concentração? E em relação aos adeptos portugueses, tantos deles com o número de telefone – vai empreender medidas também? Não será melhor, ao menos, mudar de número?

Sempre gostei de sentir o apoio das pessoas, dos amigos, etc. Mas é verdade que, nos últimos tempos, os contactos são por vezes demasiados e, de facto, essa situação acaba por vezes por desviar a concentração e também por ser uma fonte de emoções que, durante um torneio, pode ser prejudicial. Nesse sentido, sim, optei por reduzir um pouco a minha disponibilidade durante os torneios, mantendo um único contacto telefónico disponível durante esses dias.

Quando joga um torneio a par dos melhores jogadores do mundo, já se sente um deles? Não necessariamente um dos melhores, mas pelo menos com direito a estar ali, entre a elite? Um membro dessa elite?

Não me sinto um dos melhores jogadores do mundo – longe disso. Mas sinto que posso lá chegar e, cada vez, que consigo mais estar àquele nível. E isso é muito motivador para continuar o meu trabalho.

Tornou-se de repente no grande rosto do golfe português, mas também o único ao mais alto nível. Como vê o futuro de Filipe Lima? E os de Pedro Figueiredo e Ricardo Melo Gouveia? Anseia por companhia no European Tour?

Sei que o Filipe tem muito talento. Já o demonstrou inúmeras vezes. Mas não acompanho o seu trabalho, por isso não posso pronunciar-me. Relativamente ao Pedro e o Ricardo, são mais jovens, têm um excelente percurso e muita força de vontade e, por isso, o futuro só pode ser promissor. Claro que, quantos mais portugueses houver no circuito Europeu, melhor. Para todos nós e, especialmente, para mim.

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores de TUDO SOBRE GOLFE agora que este projecto arranca?

Gostava de começar por felicitar O JOGO por mais esta iniciativa e pelo destaque que dá ao golfe nacional. O golfe, uma modalidade apaixonante, acessível a jovens e a idosos, jogado ao ar livre, e que pelas suas características inclusivamente contribui para a educação dos seus praticantes, precisa de ser desmistificado e tornado acessível a todos. É preciso reconhecer o trabalho levado a cabo nos últimos anos por clubes, promotores e campos, a par do da Federação Portuguesa de Golfe. Mas a divulgação do jogo pelos media continua a ser essencial. Votos de boas tacadas aos leitores do novo TUDO SOBRE GOLFE!”/JOEL NETO

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