Urge actualizar o golfe na televisão

O golfe é uma modalidade desportiva especial porque, além de técnica e psicologicamente exigente, é uma das que mais têm crescido a nível mundial, a ponto de em 2016 voltar a integrar o programa olímpico. E é uma modalidade desportiva especial para os interesses nacionais porque Portugal é, apesar da pequena dimensão, um dos melhores destinos de turismo de golfe do mundo. A sua divulgação entre o povo português, tantas vezes socialmente complexado – e em PREC há quase quarenta anos -, foi sempre medíocre, até por via da ignorância sobre os superlativos desafios daquele a que lá fora se chama “o melhor jogo do mundo”. Mas, em regra, entendeu-se sempre que, se porventura se desse um dia o milagre de produzirmos um bom jogador, tudo ficaria facilitado.

Esse bom jogador está aí. Chama-se Ricardo Santos, tornou-se em 2012 no primeiro português formado em Portugal a jogar o European Tour e namora neste momento o top 10 do dito, com seis grandes resultados em outros tantos torneios disputados este ano (incluindo um quarto lugar no Abu Dhabi Championship, em que os monstros Rory McIlroy e Tiger Woods nem chegaram às rondas do fim de semana).

Não obstante, a TV portuguesa, à exceção da SportTV Golfe, continua a ignorar o fenómeno. Tanto quanto consigo perceber, a RTP abandonou o magazine que chegou a ter. Já a SIC Notícias continua a ter Golf Report, mas este persiste em fomentar a imagem de uma modalidade feita de velhos gordos, a beber cerveja e a andar de buggy. Urge acordar. A indústria do golfe vale mais de 1% do PIB nacional. Ricardo Santos pode ajudar. E, mesmo que não pudesse, permanecia isso: uma grande história. E um herói.

JOEL NETO/Diário de Notícias

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