Snedeker: a nova estrela da América

Aos 32 anos, Brandt Snedeker atinge o seu melhor ranking de sempre: 4º lugar mundial, atrás apenas de Rory McIlroy, Tiger Woods e Luke Donald. Nos últimos nove torneios, fez top3 em seis – incluindo a vitória em Pebble Beach, com o resultado agregado mais baixo da História. Quem disse que nunca um menino rico deu um grande golfista?

Sim, Brandt Snedeker nasceu rico, ao contrário de quase todas as outras grandes estrelas do golfe mundial. Mas rico mesmo, não apenas remediado. O seu pai, Larry Snedeker, é um dos advogados mais importantes de Nashville, ela própria um ninho de estrelas de Hollywood, estrelas do futebol americano e empresários do índice Fortune 5000 – e a influência da sua família é de tal ordem que, antes de Brandt arrebatar a cena toda para si próprio, a imprensa lhes chamava repetidamente “os Vanderbilt do Tennessee”. E, no entanto, foi na tenacidade e na determinação individuais que Snedeker assentou o seu crescimento. Primeiro, por influência do pai, que o obrigou a iniciar-se ao jogo através dos campos públicos, de maneira a evitar mimá-lo de mais. Depois, em resultado da sua própria maneira de ser, simpática mas repleta de vontade intómita – e rápida, muito rápida. Na verdade, não é apenas em campo que Brandt se move com extrema velocidade, batendo depressa os shots e os putts e continuando a rebocar o colega de formação com um sorriso rasgado que parece sempre mais de “Vamos lá a ver se te aguentas a este ritmo” do que “Despacha-te, que estou farto do esperar”. Ele fala depressa também, engolindo metade das palavras. Até a comer é rápido, garante a entourage. E, agora, é também o segundo americano mais bem posicionado no ranking mundial (4º lugar), o primeiro a seguir ao pódio Rory McIlroy-Tiger Woods-Luke Donald e o jogador que mais dinheiro ganhou no último ano. Das suas cinco vitórias, três foram obtidas de 2012 para cá. Nos últimos nove torneios, fez seis top3, incluindo segundos lugares atrás de Tiger Woods e Phil Mickelson e, naturalmente, a vitória da semana passada em Pebble Beach, onde garantiu o melhor score agregado dos 76 anos de história do National Pro-Am (267). Em Setembro passado, e depois de vencer o The Tour Championship, ganhou os dez milhões de dólares reativos à vitória na FedEx Cup. Estreou-se na Ryder Cup logo a seguir, sendo esmagado na ronda final por Paul Lawrie (e ruindo com o resto da equipa americana), mas com excelentes prestações nas jornadas de pares. Diz que o que lhe está a acontecer por esta altura “é indescritível”. Mas sabe que lhe falta uma coisa decisiva. “Os grandes jogadores definem-se pelas vitórias em majors. Eu estou a jogar bem, mas ainda não posso ostentar o nome de grande jogador.” Se calhar é melhor avisar em Augusta que Brandt vem aí – e vem com um olhar esgazeado, escondido por entre a cabeleira loira e as sardas…/JOEL NETO

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