EXCLUSIVO: “É provável que seja ultrapassado”

Ricardo Santos concede a TUDO SOBRE GOLFE uma entrevista exclusiva no dia de arranque do novo blogue de golfe de O JOGO. O português confessa que tem poucas esperanças em manter-se no top10 da Race To Dubai até segunda-feira, de modo a jogar dentro de duas semanas o seu primeiro torneio dos World Golf Championships. Mas poucas esperanças não são esperanças nenhumas…/JOEL NETO

Garantido o cartão para 2013, o objectivo é agora chegar à final da

R2D? Se tivesse de escolher entre isso e ganhar um torneio, escolhia o quê?

E verdade: o objectivo, agora, é ficar nos primeiros 60, para ter acesso à final da Race To Dubai. A ter de escolher entre as duas hipóteses que me coloca, obviamente escolhia ganhar um torneio, visto que essa hipótese me dava automaticamente a outra.

Uma série de resultados como esta indica que um grande momento de forma, mas também não é fácil de repetir. Como vai receber as más séries de resultados, quando elas chegarem?

Se chegarem os resultados menos bons, vou tentar recebê-los da mesma forma que recebo os bons. E trabalhar mais para os poder superar.

Sente que podia ter ganho algum destes torneios? Que

desperdiçou alguma boa oportunidade?

Sinto que poderia ter ganho o Africa Open. Não diria que propriamente desperdicei uma oportunidade. Mas faltou-me apenas o putting. Foi o putting que, durante quase toda a semana, impediu que tal pudesse ter acontecido.

A qualificação para o Doral só fecha no Accenture Match Play Champioship. Teme ainda ser ultrapassado no top10 da R2D, perdendo o lugar no Cadillac Championship?

É muito provável que isso aconteça.

Se vier a ser ultrapassado por um jogador apenas, vai custar-lhe

especialmente a memória do final bogey-bogey de domingo passado, sem o qual teria ascendido a nono na R2D?

Se tal acontecer, já não poderei fazer nada. Dei o meu melhor em qualquer um dos putts. Não consegui concretizá-los – paciência. Não vou ficar a pensar nisso, porque no inicio do ano não pensava estar nesta posição de poder jogar o Doral. Só isto já é muito positivo. De resto, não posso ficar a pensar num putt que correu menos bem quando meti vários decisivos para chegar a esta posição de ter esperança…

Pode dizer-se que jogar um major seria o bónus perfeito para o trabalho destas duas/três épocas? Vai disputar a qualificação do British Open?

Sem dúvida. Jogar um major seria um bónus e mais uma grande experiência. Vou disputar as qualificações do British Open e do US Open.

É-lhe ainda mais fácil fazer um brilharete vindo de baixo para cima, como no Abu Dhabi, do que mantendo-se o fim-de-semana todo no top, como tentou fazer no Qatar?

De certa forma, sim. Quando estamos atrás, queremos chegar à frente. Quando estamos à frente, somos o alvo a abater e, portanto, há um pouco mais de pressão.

A que se deve, exactamente, este grande arranque de temporada? Que trabalho de pré-época foi esse que, aparentemente, tem dado tão bons frutos?

Penso que se deve tudo ao trabalho. Foi um trabalho muito sério, em todas as vertentes, com o objectivo de ganhar consistência.

Ouve-se cada vez mais falar do psicólogo Gonçalo Castanho quando se fala do Ricardo. O próprio Ricardo já lhe agradeceu publicamente. O psicólogo tem sido essencial? É a grande diferença em relação a há uns anos atrás?

Tem sido um trabalho importante – tão importante como os outros. A este nível, a competição é muito exigente. E, nesse sentido, todas as vertentes do jogo devem ser treinadas e preparadas. A diferença está num trabalho mais sério e organizado em todas as áreas. E a experiência também ajuda.

Decidiu reduzir um pouco a sua disponibilidade para dar entrevistas todos os dias. É por necessidade de concentração? E em relação aos adeptos portugueses, tantos deles com o número de telefone – vai empreender medidas também? Não será melhor, ao menos, mudar de número?

Sempre gostei de sentir o apoio das pessoas, dos amigos, etc. Mas é verdade que, nos últimos tempos, os contactos são por vezes demasiados e, de facto, essa situação acaba por vezes por desviar a concentração e também por ser uma fonte de emoções que, durante um torneio, pode ser prejudicial. Nesse sentido, sim, optei por reduzir um pouco a minha disponibilidade durante os torneios, mantendo um único contacto telefónico disponível durante esses dias.

Quando joga um torneio a par dos melhores jogadores do mundo, já se sente um deles? Não necessariamente um dos melhores, mas pelo menos com direito a estar ali, entre a elite? Um membro dessa elite?

Não me sinto um dos melhores jogadores do mundo – longe disso. Mas sinto que posso lá chegar e, cada vez, que consigo mais estar àquele nível. E isso é muito motivador para continuar o meu trabalho.

Tornou-se de repente no grande rosto do golfe português, mas também o único ao mais alto nível. Como vê o futuro de Filipe Lima? E os de Pedro Figueiredo e Ricardo Melo Gouveia? Anseia por companhia no European Tour?

Sei que o Filipe tem muito talento. Já o demonstrou inúmeras vezes. Mas não acompanho o seu trabalho, por isso não posso pronunciar-me. Relativamente ao Pedro e o Ricardo, são mais jovens, têm um excelente percurso e muita força de vontade e, por isso, o futuro só pode ser promissor. Claro que, quantos mais portugueses houver no circuito Europeu, melhor. Para todos nós e, especialmente, para mim.

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores de TUDO SOBRE GOLFE agora que este projecto arranca?

Gostava de começar por felicitar O JOGO por mais esta iniciativa e pelo destaque que dá ao golfe nacional. O golfe, uma modalidade apaixonante, acessível a jovens e a idosos, jogado ao ar livre, e que pelas suas características inclusivamente contribui para a educação dos seus praticantes, precisa de ser desmistificado e tornado acessível a todos. É preciso reconhecer o trabalho levado a cabo nos últimos anos por clubes, promotores e campos, a par do da Federação Portuguesa de Golfe. Mas a divulgação do jogo pelos media continua a ser essencial. Votos de boas tacadas aos leitores do novo TUDO SOBRE GOLFE!

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