Montgomerie contra os long putters

Keegan Bradley quer impedir a USGA de ilegalizar os chamados long putters. Tim Clark, Adam Scott, Bernhard Langer, Ernie Els, Webb Simpson e até Phil Mickelson dão uma ajuda.

 “Tem havido muita especulação sobre isso e penso que nos verão pronunciarmo-nos no espaço de meses, não de anos”, disse no ano passado Peter Dawson, chefe executivo do R&A, que divide com a USGA a superintendência das regras do golfe. Depois de Ángel Cabrera (The Masters Tournament 2009), Keegan Bradley (PGA Championship 2011), Webb Simpson (US Open 2012) e Ernie Els (British Open 2012) terem ganho torneios do chamado Grand Slam usando putters com varetas mais compridas do que o tradicional, a polémica instalou-se. Pois essa mesma polémica vai condicionar as regras, promete Peter Dawson. E a notícia, agora, é que Colin Mongtomerie, ex-capitão da selecção europeia da Ryder Cup, acaba de juntar-se aos rostos agrupados pela R&A e pela USGA contra a utilização de putters longos. Do outro lado, o jovem Keegan Bradley, sobrinho da multicampeã Pad Bradley, lidera a task force em defesa das novas soluções de putting, incluindo as versões belly putters (barriga) e broom putters (vassoura). Adam Scott, Tim Clark, Bernhard Langer e Phil Mickelson, para além dos quatro citados campeões dos majors, fazem todos parte dessa task force. Há toda uma nova geração, na verdade, para a qual os putters tradicionais simplesmente não fazem sentido. “Era frequente, no Nationwide Tour, jogar torneios em formações nas quais todos os três jogadores tinham putters diferentes do normal”, conta Bradley. Razão fundamental: usando um ponto de apoio suplementar (a barriga ou o peito), os putters mais compridos efectivamente reduzem as possibilidades de tremores e tremideiras, dificultando um pouco a identificação da velocidade ideal para um putt longo, mas facilitando amplamente a identificação da linha perfeita para um putt curto (e a execução da pancada adequada a ela). De resto, já não vigora, entre os mais jovens jogadores de alto nível o estigma que antigamente vigorava em relação a soluções alternativas de equipamento, putters à cabeça. “São aberrações. Deviam ser banidos da modalidade, estes novos tacos”, diz Randy Phillips, decano jornalista de golfe-norte-americano. “E porque é que não põem um controlo remoto na bola, já gora?”, acrescenta o colega Adrian Michaels, outro veterano. “O maior erro que cometi foi aceitar os belly putters e os broom putters”, chegou a dizer, no ano passado, Frank Thomas, presidente da comissão técnica da USGA. “Trazem mesmo uma vantagem aos seus utilizadores. Mas, depois da vitória de Keegan Bradley no PGA Championship, como antes dela a de Adam Scott no Bridgestone Invitational ou depois dela a de Webb Simpson no Wyndham Championship, o que é que eu posso fazer?” Peter Dawson quer de facto fazer alguma coisa. E os próprios fabricantes de materiais deitam as mãos à cabeça, porque os putters compridos foram os artigos mais vendidos nos últimos dois anos. Conseguirá Keegan Bradley, mais uma vez, ajudá-los?/JOEL NETO

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