Os 15 dias de glória do golfe luso

O quarto lugar de Ricardo Santos no Abu Dhabi Championship, obtido na semana passada, vem engrossar a lista dos grandes feitos do golfe luso. Está na altura de avançar com um top15./JOEL NETO

 

15. Dois irmãos na Taça do Mundo

Foi em 2011, na China, onde Hugo Santos substituiu o lesionado Filipe Lima e se juntou ao irmão Ricardo para defender as cores portuguesas (após a competente qualificação, isto é) na maior competição mundial de selecções nacionais. O resultado, de resto, não envergonhou: 20º lugar ex-aequo com Áustria e o Brasil, à frente por exemplo da Colômbia (de Camilo e Manuel Villegas), da Suécia (Robert Karlsson/Alexander Norén) e da Bélgica (Nicolas Colsaerts/Jérôme Theunis). Nada mau.

 

14. Candidatura à Ryder Cup 2018

Talvez tenha sido um projecto algo quimérico, até por via do momento que a economia portuguesa já então atravessava (2010/2011), mas o facto é que reforçou o prestígio do país junto das instâncias internacionais da modalidade. Portugal defrontou a França, a Espanha, a Holanda, a Alemanha e a Suécia (esta veio a desistir antes da decisão final) na corrida à segunda edição da Ryder Cup na Europa continental – primeira depois de Espanha 1997, disputada em Valderrama – e, embora não se saiba a classificação final, bateu-se bem.

 

13. Vitórias portuguesas no Challenge Tour

Os profissionais lusos têm vitórias em quase todos os mais importantes circuitos satélites europeus (EuroPro Tour, Peugeot Tour, EPD Tour, Alps Tour…), mas em todo o caso o Challenge Tour, a segunda divisão do European Tour, é superior. Filipe Lima, para além do Aa St. Omer Open 2004, co-sancionado pelo European Tour, venceu o Segura Viudas Challenge de España 2004 e o   ECCO Tour Championship 2009. Ricardo Santos, para além do Madeira Islands Open 2012 (idem), triunfou no The Princess 2011.

 

12. Lima no pódio do Open de Portugal

Chegou a gerar-se o frisson sobre o campo do então chamado Oitavos Golfe, na Quinta da Marinha (Cascais) – e a verdade é que, mesmo sem vitória, o resultado de Filipe Lima foi superlativo. Frente a alguns dos melhores jogadores europeus, o português jogou algum do seu melhor golfe e veio a terminar o Open de Portugal 2005 em terceiro lugar, duas pancadas atrás do inglês Paul Broadhurst e uma do escocês Paul Lawrie, vencedor do British Open em 1999. O público delirou.

 

11. Agrellos lidera golfe europeu

É um enorme feito de um golfista de fim-de-semana entre os golfistas profissionais de toda a Europa. Histórico da Federação Portuguesa de Golfe, de que foi vice-presidente e é agora presidente, Manuel Agrelos, também sócio do Saint Andrews GC, já vinha acumulando vários cargos internacionais há anos. Mas, entre 2007 e 2008, atingiu o seu expoente (e o do golfe português também, naturalmente), ao liderar em simultâneo a PGA of Europe e o Conselho Profissional do golfe europeu, que paralelamente o punha à frente do Challenge Tour.

 

10. Figueiredo destaca-se no Mastes

Não foi a melhor prestação portuguesa no Portugal Masters, porque em 2012 Ricardo Santos fez T16 (ano em que o mesmo Figueiredo fez T27 e Ricardo Mello Gouveia T60, consumando o recorde de três lusos nas rondas do fim-de-semana), mas foi uma das mais emocionantes. Em 2011, e um ano depois de Ricardo Santos ter arrebatado a cena a Filipe Lima, o jovem amador Pedro Figueiredo não apenas foi o único luso a chegar ao fim-de-semana, como terminou numa brilhante 23ª posição ex-aequo.

 

9. Santos e Cruz brilham na China

É talvez um dos feitos mais injustamente esquecidos entre os maiores momentos do golfe nacional. Em 2008, Ricardo Santos e Tiago Cruz, este no seu modesto apogeu e aquele longe ainda do nível que exibe hoje, foram jogar as qualificações para a Taça do Mundo, classificaram-se para a China e viriam a terminar na melhor posição portuguesa de sempre: 13º lugar, ex-aequo com Dinamarca e Canadá e à frente de potências mundiais como Coreia do Sul (Bae Sang-moon/Kim Hyung-tae), País de Gales (Bradley Dredge/Richard Johnson), Escócia (Alastair Forsyth/Colin Montgomerie), Itália (Edoardo Molinari/Francesco Molinari) ou Irlanda (Graeme McDowell/Paul McGinley).

 

8. Taça do Mundo realiza-se no Algarve

O resultado da equipa portuguesa (Filipe Lima/António Sobrinho), sobretudo tratando-se de um torneio em casa, foi medíocre – T20, a 14 pancadas para equipa vencedora, o País de Gales –, mas em todo o caso o destaque era o país. No final de 2005, reuniu-se em Portugal um grupo de jogadores que talvez só viria a ser superado uma vez, por ocasião do Portugal Masters de 2009 (em que Lee Westwood praticamente garantiu a vitória na Ordem de Mérito europeia). Motivo: a recepção à Taça do Mundo, jogada no Oceânico Victoria. Um êxito.

 

7. Lima no top5 do Dunhill Links

O terceiro dia (75 pancadas) foi mau, e só por isso Filipe Lima não fez ainda melhor no Dunhill Links Championship 2008, disputado entre Saint-Andrews, Carnoustie e Kingsbarns, na Escócia (e há décadas um dos torneios mais importantes do circuito europeu, diga-se). Perante toda a nata do golfe europeu, Lima terminou numa 5ª posição ex-aequo, a três pancadas apenas do vencedor, o sueco Robert Karlsson. Foi o seu último brilharete no European Tour – e quem hoje o vê lutar pelo regresso à primeira divisão quase não acredita nos seus olhos.

 

6. Lima em segundo na Alemanha

Um ano antes, de resto, Lima conseguira a sua melhor classificação de sempre num torneio não co-sancionado nem classificado como “opposite field” – portanto um torneio absoluto, ou de pleno direito, digamos assim – do European Tour: um segundo lugar no BMW International Open, disputado no Golf München Eichenried. À sua frente, apenas um nome: Niclas Fasth – e, ao lado, o primeiro líder da história do ranking mundial, a superestrela dos anos 80 e 90 Bernhard Langer, ex-capitão da selecção europeia na Ryder Cup. Pensava-se que o futuro falava português. E talvez ainda fale.

 

5. Santos em quarto no Abu Dhabi

Foi obtida já em 2013, mas tem seguramente lugar no top5 as conquistas do golfe profissional português. Perante o melhor field que alguma vez defrontara, incluindo os dois primeiros do ranking mundial (Rory McIlroy e Tiger Woods), Ricardo Santos não apenas passou o cut do Abu Dhabi Golf Championship 2013 – coisa que nenhum dos monstros sagrados conseguiu fazer –, como lutou até ao último dia pela vitória. Resultado: quarto lugar, a três pancadas do vencedor, Jamie Donaldson. E, já agora, na clubhouse, a honra de ser cumprimentado por Tiger …

 

4. Silva vence Escola de Qualificação

Foi o primeiro grande torneio alguma vez ganho por um golfista profissional português. Nascido e formado na África do Sul, Daniel Silva tinha então 24 anos e era apenas mais um candidato ao European Tour. Pois não apenas se qualificou para o circuito, como venceu a prova de qualificação, disputada entre os campos de La Grande Motte e Golf Massane, no Sul de France. Outros qualificados desse ano, atrás do português? Phillip Price, Per-Ulrik Johansson, Darren Clarke, Robert Karlsson, Peter Lonard, Thomas Levet…

 

3. Lima ganha St. Omer Open

O torneio era um “opposite field” do US Open e, além disso, co-sancionado pelo Challenge Tour. Mas era, ainda assim, um torneio do European Tour – e as esperanças portuguesas em relação a Filipe Lima, filho de emigrantes que a Federação Portuguesa de Golfe acabara de convencer a jogar por Portugal, simplesmente dispararam. No St. Omer Open de 2004, Lima não seu hipóteses, vencendo perante um field que incluía nomes como os de Simon Dyson, Michael Hoey, Graeme Storm, Grégory Bourdy ou Pelle Edberg, entre muitos outros. O início de uma história de amor, basicamente.

 

2. Daniel Silva triunfa em Jersey

Quem, aqui há três ou quatro anos, perguntava a jogadores como Lee Westwood ou Pádraig Harrington que adversários portugueses conheciam, o primeiro nome a surgir era sempre o de Daniel Silva. Em boa parte, isso devia-se ao seu triunfo no Jersey European Airways Open de 1992, disputado no campo do La Moye, na Ilha de Jersey. O torneio era um “opossite field” do Masters, mas estava recheado de futuras e velhas estrelas, como Sam Torrance, Darren Clarke, Robert Karlsson, Barry Lane ou Paul Broadhurst, entre tantas outras. Ganhou o português, com duas pancadas de vantagem. Isto na terra de Harry Vardon e Ted Ray, note-se. Como esquecê-lo?

 

1. Ricardo Santos arrasa na Madeira

Não foi apenas a vitória, até porque o torneio é há muito co-sancionado entre o European Tour e o Challenge Tour: foi também a maneira como ela aconteceu, os números por que ela aconteceu e, já agora, o lugar onde aconteceu. Recém-chegado à primeira divisão, Ricardo Santos era apenas um candidato a alguma coisa que ainda nem sabíamos o que fosse. No último dia do Open da Madeira 2012, porém, arrancou a ronda da sua vida – 63 pancadas, -9 – recuperou quatro em relação à liderança e estabeleceu outras quatro de vantagem sobre o segundo classsificado final, Magnus S. Carlsson. Isto sob a pressão do seu próprio público. E assim o European Tour teve de dar a um não britânico o troféu Harry Cotton para o rookie do ano apenas pela décima vez em 52 anos…

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