Os 23 anos de um campeão

Talvez um dia nos orgulhemos de que o Madeira Open tenha sido o primeiro triunfo de Peter Uihlein como profissional. Vencedor do US Amateur de 2010, no zénite de uma carreira de amador que o levou a ser comparado a Tiger Woods e a Phil Mickelson, Uihlein não é apenas o filho de Wally Uihlein, o CEO da Acushnet/Titleist e um dos homens mais poderosos do mundo do golfe. É também um dos alunos de Butch Harmon e um dos mais recentes agenciados de Chubby Chandler. Basicamente, une-se a elite toda do golfe para levá-lo ao topo. E, como há talento…

Não: Peter Uihlein não é apenas um filho do papá. Nascido há 23 anos em New Bedford, no Massachusetts, teve de facto uma infância facilitada. Mas lutou pelo seu próprio lugar no mundo do golfe, apesar da dimensão personalidade do pai. Em 2006 e 2011, ganhou um total de sete grandes provas como amador, incluindo um US Amateur. E, quando se tornou profissional, há ano e meio, simplesmente recusou os convites de patrocinadores que lhe garantiam uma aterragem suave no PGA Tour, optando antes por vir jogar para a Europa, incluindo desvios a destinos tão inesperados como o Quénia, o Cazaquistão ou a Índia. Conselheiro principal: Butch Harmon, o mítico (ex-)treinador de Tiger Woods. “Sempre achei que a malta tinha as coisas facilitadas aqui no circuito americano. E, portanto, sugeri-lhe que fosse para o European Tour, como por exemplo fez Adam Scott. É ali, à chuva e ao vento, com campos difíceis e após viagens longuíssimas, que um golfista pode de facto adquirir a excelência.” Pois foi isso mesmo que Uihlein fez, aproveitando já agora para sair da sombra paterna. Nem tudo correu bem: em Março do ano passado, em Marrocos, abriu o Troféu Hassan II com um 83 (+11) e teve de tirar mais de dois meses de férias, passando três semanas em casa de Butch Harmon, em Las Vegas, a treinar e a comer os cozinhados da mulher deste, Christy. Entretanto, porém, Chubby Chandler, o mítico agente de golfe britânico (e que trabalha por exemplo com Darren Clarke e Pádraig Harrington), tomou conta do seu percurso e redesenhou-lhe o programa. Pois o trabalho acaba de produzir efeitos: a primeira vitória como profissional e o maior cheque da ainda curtíssima carreira. Tudo no Santo da Serra GC, em mais um Madeira Islands Open, na semana passada (e com Filipe Lima no top10). Resultado: cartão do European Tour assegurado para o próximo ano e uma chuva de convites para torneios do PGA Tour, desta vez não apenas em resultado do nome Uihlein, mas de uma conquista efectiva como profissional. “Aqui cresce-se depressa. Foi por isso que vim. Tem sido um excelente processo e quero continuar mais algum tempo”, diz Peter. Ainda nos vamos orgulhar da ligação com que fica para sempre ao nosso país…

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