Os 14 anos loucos de Justin Rose

Justin Rose brilhou num British Open como amador e depois foi anunciado uma série de vezes como um fracasso. Chegou a falhar 21 cuts consecutivos no European Tour. Domingo passado venceu o US Open. Como dissociar  a aprendizagem do fracasso da conquista do sucesso?

Em 1999, Justin Rose pôs-se a pensar na vida. Tinha 18 anos e era conhecido no mundo inteiro como o miúdo que um ano antes, no difícil campo de Royal Birkdale, quase vencera o British Open. Era um exagero, claro. Primeiro porque “quase”, em golfe, não existe: a diferença entre ganhar e ficar em segundo é enorme. Depois porque, nessa mítica edição do Aberto Britânico, não só acabara por ficar duas pancadas do vencedor, Mark O’Meara, como ainda houvera mais dois jogadores à sua frente (Brian Watts e Tiger Woods), para além de outros três ao seu lado na quarta posição. Ficara por bater muita gente, pois. E, no entanto, em 1999 a história parecia encantada. Porque, tornado profissional logo a seguir a esse brilharete, Justin simplesmente eclipsou-se. Chegou a falhar 21 cuts seguidos no European Tour, motivando a solidariedade – e até o constrangimento – de grande parte da elite europeia. Viria a ganhar pela primeira vez apenas três anos depois: o Dunhill Championship de 2002. Mesmo assim, ficou lá a pulga, atrás da orelha de adversários e admiradores. E demorou muito tempo a sair. Nos oito anos seguintes, Rose ganhou apenas mais três vezes, das quais duas ao longo de um intervalo de sete anos. Até que, em 2010, venceu onde nunca tinha vencido: nos Estados Unidos. Conquistado o Memorial Tournament em Junho, tornou a triunfar logo em Julho, desta vez o AT&T National. E nunca mais parou de ascender. Em 2011 tornou a ganhar na América, mas desta vez um playoff da FedEx Cup: o BMW Championship. Em 2012, voltou a subir a fasquia e conquistou o seu primeiro torneio dos World Golf Championships: o Cadillac Championship. Este ano, e após congratular pela vitória no Masters o australiano Adam Scott, seu contemporâneo e amigo de longa data, recebeu uma mensagem que dizia: “Chegou a nossa vez, Justin. Agora somos nós a ganhar estes torneios.” Pois confirmou-se. Depois de um terceiro lugar no PGA Championship de 2012, a primeira vez em 14 anos que conseguiu superar o quarto lugar de Birkdale num major, pertenceu-lhe a glória de vencer o mais difícil campeonato de golfe do calendário: o US Open – e logo no retorcido, belíssimo e sacana campo do The Merion GC. Co-protagonistas: Sean Foley, o treinador que reparte com Tiger Woods, e a sua própria história pessoal, feita de muitas promessas, magras glórias, imenso desespero e uma dose de resiliência apesar de tudo imune a tudo o mais. “Penso que os meus fracassos do passado me tornaram mais forte. Sinto-me capaz de tudo, hoje em dia”, disse, no domingo, logo após a vitória na Pensilvânia. O futuro dirá até que ponto. Mas o que parece, por esta altura, é que devemos confiar-lhe a ele parte da liderança dos esforços europeus para tentar trazer o topo da hierarquia mundial novamente para este lado do mar. O terceiro lugar do ranking está aí para prová-lo…

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