Os 8 meses de Rory McIlroy

Rory McIlroy não ganha há oito meses, baixou dramaticamente o seu registo estatístico e falhou o cut do British Open com +12. O mundo do golfe discute o seu ocaso. Gary Player diz que ele precisa de encontrar, muito rapidamente, “a mulher certa”

Foi o jogador a chegar mais jovem aos dez milhões de dólares em prémios e, apesar dos escassos 24 anos, encontra-se já entre os dez golfistas, em toda a história do golfe, com mais semanas no topo do ranking mundial (39). E, no entanto, a modalidade começa a cair sobre ele. Rory McIlroy não ganha nada desde Novembro de 2012, e isso é um dado sem grande  expressão, pois até os maiores ficam às vezes anos seguidos sem vencer. O problema são os números. Se em 2012 o jovem norte-irlandês passara por esta altura dez cuts em 14 torneios, os mesmos que passou em 2013, do ponto de vista dos top10 a diferença já é significativa: oito em 2012, apenas quatro em 2013. Pior: em 2012 já havia vencido um torneio, enquanto este ano ainda não ganhou. Pelo contrário, a sua média de scoring subiu uma pancada e meia (de 70,43 para 71,95 por ronda) e o prize money acumulado reduziu-se praticamente em dois terços (de 3,7 milhões de dólares para 1,3 milhões). Resultado: uma enorme controvérsia, que se reacende e sobe de tom sempre que o ex-número 1 mundial, entretanto rebaixado sucessivamente para número 2 (Março) e número 3 (Julho), aparece noutro ponto qualquer do globo, entre torneios, a assistir aos jogos ou aos treinos da namorada, a ex-líder do ranking mundial de ténis feminino Caroline Wozniacki. O americano Johnny Miller e o inglês Nick Faldo, duas das línguas mais afiadas do circo da modalidade – e ambos na galeria dos melhores jogadores dos anos 70/90 – entendem que o problema foi a troca de patrocinador de equipamento, que levou Rory a optar pela Nike em vez da mítica Titleist. Gary Player, vencedor de nove majors entre os anos 50 e 70, conferiu o resultado do norte-irlandês nas duas primeiras rondas da edição deste ano do British Open (+12, para falhar o cut por quatro longuíssimas pancadas), e ficou sem dúvidas. “O que ele precisa é de encontrar a mulher certa. É natural, na idade em que ele está, distrair-se com outras coisas. Mas isso tem de ser passageiro”, disse há dias o sul-africano ao programa “My Sporting Life”, da BBC. “Ele tem o jogo, a mentalidade e a experiência para voltar ao topo em questão de dias. Mas, com franqueza, era bom que encontrasse, e muito rapidamente, uma mulher como por exemplo a minha, que está comigo há 56 anos e nunca quis outra coisa senão ajudar-me a dar o melhor de mim.” Paul McGuinley, capitão da selecção europeia da Ryder Cup, concorda. E lembra mesmo que, entre o US Open e o British Open de 2012, que Rory ganhou (em ambos os casos) por oito pancadas, a maior parte de jornalistas e comentadores viu-o jogar no British Open e declarou-o “num péssimo momento de forma.” Portanto, a ver no que dá.

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